Vitamina C pode ganhar novas funções na saúde, aponta estudo da USP

Rui Gonçalves • 17 de setembro de 2020

A vitamina C é capaz de reduzir a oxidação de proteínas existentes nas células dos seres vivos, aponta estudo do Centro de Pesquisa de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma). Através de experimentos em laboratório sobre a velocidade desse processo, os pesquisadores descobriram indícios de que ele é mais frequente quando as células estão em locais com altas concentrações de vitamina C, como por exemplo, nas plantas. Os resultados do estudo poderão ser usados em aplicações na agricultura, para melhorar o desempenho de cultivos, e na saúde, em fórmulas para reduzir a virulência de bactérias e fungos.


O Redoxoma, sediado no Instituto de Química (IQ) da USP, é um dos Centros de Pesquisa,Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “A vitamina C, ou ascorbato, é um antioxidante bem conhecido que atua, por exemplo, como um fator associado à síntese de colágeno”, afirma o professor Luis Eduardo Soares Netto, do Instituto de Biociências (IB) da USP, que coordenou a pesquisa. “O estudo se concentrou numa reação pouco estudada, que é a redução de compostos derivados de enxofre, no caso o ácido sulfênico, que é a forma oxidada dos tióis, estruturas existentes em proteínas. A vitamina C é capaz de reduzir o ácido sulfênico, regenerando os tióis.”


Por meio de experimentos in vitro, realizados em laboratório, a pesquisa analisou oxidações que acontecem com proteínas que contém tióis. “Alguns desses tióis oxidam com muita facilidade, quando entram em contato com moléculas como as da água oxigenada (peróxido de hidrogênio)”, explica o professor ao Jornal da USP. “O produto dessa oxidação é o ácido sulfênico. Nas reações estudadas, a água oxigenada é gerada dentro das células, durante processos para obtenção de energia.”


Os testes feitos pelos pesquisadores mostraram que a vitamina C reverte esse processo de oxidação das proteínas, com o ácido sulfênico voltando a sua forma original, os tióis. “Esses tióis voltam a ter a capacidade de impedir a oxidação de moléculas existentes nas células, como o DNA e os lipídeos existentes na membrana celular”, destaca Soares Netto. O estudo calculou a velocidade da reação entre a vitamina C e o ácido sulfênico, utilizando a fórmula desenvolvida pelo pesquisador Gerardo Ferrer Sueta, da Universidad de La Republica, no Uruguai. “Os resultados mostram indícios de que essa reação acontece com mais frequência em células de seres vivos que estão em locais onde há elevada concentração de vitamina C, como por exemplo, em plantas.”


Novos papeis para a vitamina C
De acordo com o professor, os resultados do trabalho sugerem novos papéis para a vitamina C. “As plantas têm, em geral, níveis bastante altos de ascorbato, o qual tem sido relacionado ao desenvolvimento, envelhecimento e germinação das sementes”, observa. “Estamos estudando os mecanismos de redução da oxidação da enzima 1-Cys peroxirredoxina no núcleo das células das sementes pela vitamina C, que acreditamos ter um papel importante na germinação. Portanto, esse processo pode ser importante na agricultura, para melhorar o desempenho de plantas.”


Em bactérias, a enzima 1-Cys peroxirredoxina está envolvida na virulência, ressalta Soares Neo. “Num trabalho em colaboração com o grupo da professora Regina Baldini, do Instituto de Química (IQ) da USP, mostramos que se você tira o gene que codifica essa enzina da bactéria Pseudomonas aeruginosa, ela deixa de ser virulenta em camundongos”, aponta. “E o único redutor dessa enzima é o ascorbato. Portanto, esse processo pode ser relevante para saúde, ajudando a desvendar novos mecanismos associados com virulência de bactérias.”


O professor relata que os fungos patogênicos do gênero Aspergillus possuem três 1-Cys peroxirredoxinas e, até o momento, o único redutor proposto para elas é o ascorbato. “Dessa forma, a redução pode contribuir também para entender os processos ligados à virulência de fungos”, conclui. A pesquisa é descrita no artigo Reduction of sulfenic acids by ascorbate in proteins, connecting thiol-dependent to alternative redox pathways, publicado em 20 de agosto na revista Free Radical Biology and Medicine.

Sobre o consumo de vitamina C, o professor lembra que ela é responsável por vários processos no organismo, inclusive a síntese de colágeno e a redução de proteínas. “Obter vitamina C através da alimentação não tem efeitos colaterais”, ressalta. “Já quando isso é feito por meio de suplementos, é preciso cuidado”.


No IB, os experimentos sobre a velocidade da redução foram realizados pela doutoranda Valesca Anschau, que teve a colaboração de Rogério Luis Aleixo Silva, Renata Bannitz Fernandes, Carlos Tairum e do professor Luis Eduardo Soares Neo. O trabalho também teve a participação de Gerardo Ferrer-Sueta, da Universidad de La República (Uruguai), de Celisa Caldana Costa Tonoli e Mario Tyago Murakami, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), sediado em Campinas (interior de São Paulo), e de Marcos Antonio de Oliveira, do Instituto de Biociências (IB) da Unesp, em São Vicente (litoral de São Paulo).


Fonte: Jornal da USP

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O Conselho Regional de Nutrição da 6ª Região (CRN-6), em parceria com o Governo do Estado de Pernambuco por meio da Coordenação de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CSANS), lançou o edital para seleção de relatos de experiências locais, no formato de resumos expandidos, destinados à apresentação no evento “Se Amostra, Pernambuco!”, que será realizado no dia 30 de outubro de 2025. O objetivo é valorizar, divulgar e incentivar a produção técnico-científica em Alimentação e Nutrição desenvolvida no Estado, reconhecendo experiências exitosas que contribuam para o fortalecimento das práticas e políticas públicas na área. Podem participar profissionais, estudantes, grupos e instituições que tenham desenvolvido atividades, projetos, pesquisas ou ações extensionistas no campo da Nutrição em Pernambuco. Cada autor poderá submeter até dois trabalhos, de forma individual ou em coautoria (limitados a seis autores por resumo). Informações importantes: Período de submissão: 22 de setembro a 6 de outubro de 2025; Divulgação dos trabalhos aprovados: 15 de outubro de 2025; Apresentação no evento: 30 de outubro de 2025; Formato de apresentação: pôster e, para os trabalhos de maior destaque, apresentação oral; Premiação: menção honrosa para dois trabalhos, sendo um com participação de nutricionista e outro sem. Os resumos expandidos deverão ter entre 4.000 e 6.000 caracteres, seguindo o modelo oficial disponível no site do CRN-6. A submissão será feita exclusivamente por meio da plataforma Sympla respeitando os prazos estabelecidos O presidente do CRN-6, Rafael Azeredo, destaca que o evento é uma oportunidade de dar visibilidade ao conhecimento produzido no estado: “O Se Amostra Pernambuco é um espaço de reconhecimento e partilha, que reforça a importância da Nutrição no enfrentamento dos desafios alimentares e na promoção da saúde da população.”
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O Conselho Regional de Nutrição da 6ª Região (CRN-6) e manifestou preocupação diante da aprovação de uma emenda substitutiva ao Projeto de Lei n° 425/2023, de autoria do Deputado Estadual Dr. Wanderley, que originalmente propunha a proibição da oferta e comercialização de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas e privadas de Alagoas. Segundo o presidente do CRN-6, Rafael Azeredo, a redação original do PL significava um avanço na proteção da saúde de crianças e adolescentes, ao alinhar-se às recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, a emenda substitutiva enfraquece o caráter protetivo da proposta ao transformar a proibição em mera recomendação de preferência por alimentos in natura e minimamente processados. Nota Oficial do Conselho Regional de Nutrição - 6ª Região (CRN-6) e do Consea Maceió (AL) O Conselho Regional de Nutrição - 6ª Região (CRN-6) e o Consea Maceió manifestam apoio integral ao Projeto de Lei n° 425/2023, em sua redação original, de autoria do Deputado Estadual Dr. Wanderley, que dispõe sobre a proibição da oferta e comercialização de alimentos ultraprocessados nas unidades escolares das redes públicas e privadas do Estado de Alagoas. O texto original do PL representa um avanço efetivo na promoção da saúde das crianças e adolescentes, ao alinhar-se às recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertam para o impacto nocivo do consumo precoce e frequente de alimentos ultraprocessados no aumento dos índices de obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas. Entretanto, o CRN-6 e o Consea Maceió (AL) não concordam com a Emenda Substitutiva posteriormente apresentada e aprovada nas comissões, pois esta enfraquece o caráter protetivo do projeto ao substituir a proibição clara por uma recomendação de preferência pelo consumo de alimentos in natura e minimamente processados. Tal modificação descaracteriza a proposta inicial, abre espaço para interpretações permissivas e mantém brechas para a manutenção da lógica de comercialização de ultraprocessados no ambiente escolar. Ressaltamos que o ambiente escolar deve ser um espaço protetivo, formador e promotor de hábitos alimentares saudáveis, livre da pressão mercadológica e da influência da indústria de ultraprocessados, que frequentemente utiliza estratégias de marketing direcionadas ao público infantil. O CRN-6 e o Consea Maceió (AL) reafirmam, portanto, seu posicionamento contrário à emenda substitutiva e defende a aprovação e implementação da versão original do PL 425/2023, como medida concreta de saúde pública e de proteção integral à infância e adolescência em Alagoas. Conselho Regional de Nutrição - 6ª Região Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) de Maceió (AL) O CRN-6 e o Consea Maceió (AL) reafirmam, juntos, seu compromisso em defender políticas públicas efetivas de alimentação e nutrição, ressaltando que a proteção à infância exige medidas firmes, sem retrocessos que fragilizem conquistas em saúde coletiva.
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