Novo Atlas da Federação Mundial de Obesidade alerta para avanço da obesidade infantil e reforça necessidade de políticas públicas estruturantes
A segunda edição do Atlas Mundial da Obesidade – Obesidade Infantil, divulgado pela World Obesity Federation, na última quarta-feira (4/3), apresenta novos dados sobre a evolução do sobrepeso e da obesidade entre crianças e adolescentes no mundo. O documento apresenta um cenário preocupante: entre 2025 e 2027, o número de crianças e adolescentes com obesidade deverá superar o de indivíduos com baixo peso na faixa etária de 5 a 19 anos.
Segundo o relatório, em 2025 são estimadas cerca de 177 milhões de crianças e adolescentes vivendo com obesidade, o equivalente a 8,7% da população nessa faixa etária. A projeção indica que esse número poderá chegar a 228 milhões até 2040. Quando considerado o conjunto de IMC elevado (sobrepeso e obesidade), o total estimado é ainda maior: 419 milhões em 2025, podendo alcançar 507 milhões até 2040, o que representa mais de uma em cada quatro crianças no planeta.
Desde 2010, mais de 180 países registraram aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes. Apenas 15 países apresentaram redução no período. Globalmente, a prevalência de IMC elevado entre 5 e 19 anos passou de 14,6% em 2010 para 20,7% em 2025, evidenciando uma tendência de crescimento consistente.
Impactos precoces na saúde
O Atlas também aponta para os efeitos do excesso de peso ainda na infância. A estimativa é que 120 milhões de crianças e adolescentes apresentem sinais precoces de doenças crônicas associadas ao IMC elevado até 2040.
Em 2025, o cenário global indica:
- 98 milhões com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD);
- 47 milhões com triglicerídeos elevados, aumentando o risco cardiovascular;
- 34 milhões com hipertensão, associada ao risco de acidente vascular cerebral;
- 14 milhões com hiperglicemia, condição que pode evoluir para diabetes.
O relatório destaca que esses sinais frequentemente permanecem sem diagnóstico por anos, ampliando o risco de Doenças
Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) na vida adulta e aumentando a pressão sobre os sistemas de saúde.
Cenário no Brasil
Entre os países com maior número absoluto de crianças e adolescentes com obesidade, o Brasil aparece em posição de destaque. Para 2025, o Atlas estima:
- 17 milhões de crianças e adolescentes (5 a 19 anos) com IMC elevado;
- 7 milhões vivendo com obesidade.
Os dados também apontam para sinais precoces de doenças associadas ao excesso de peso:
- 4 milhões com doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD);
- 1,999 milhão com hipertensão;
- 1,875 milhão com triglicerídeos elevados;
- 572 mil com hiperglicemia.
Entre os fatores de risco identificados no país estão aleitamento materno inadequado (51,7%), baixo nível de atividade física entre adolescentes (84% não atingem as recomendações), consumo frequente de bebidas açucaradas por crianças e exposição pré-natal ao IMC elevado materno (32,3%).
O Atlas também evidencia lacunas na implementação de políticas públicas. Apenas 73 países possuem medidas específicas para reduzir a exposição de crianças ao marketing de alimentos, e muitos ainda não monitoram de forma sistemática as ações adotadas.










