Programa Mundial de Alimentos conquista Prêmio Nobel da Paz

Rui Gonçalves • 9 de outubro de 2020

A poucos dias de celebrarmos o Dia Mundial da Alimentação uma notícia para aumentar a festa e pensarmos sobre a fome que ainda atinge muitos povos. O Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) conquistou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9) por seus esforços para combater a fome e melhorar as condições para a paz em áreas atingidas por conflitos.

A escolha está sendo interpretada pelos analistas internacionais "como uma resposta de Oslo [sede do Nobel, capital da Noruega] ao surgimento considerado como perigoso de um nacionalismo explícito em diferentes partes do mundo, do populismo e uma mensagem de apoio aos esforços de coordenação diante de desafios globais. O vencedor é escolhido por um comitê eleito pelo parlamento da Noruega.

Outras 134 pessoas ou instituições já receberam esse prêmio no passado. Em 2019, o vencedor foi Abiy Ahmed, o primeiro-ministro da Etiópia. No ano anterior, Denis Mukwege, um congolês, e Nadia Murad, uma iraquiana ganharam o Nobel da Paz (os dois são militantes que combatem o fim da violência sexual em guerras e conflitos armados).

Juan Manuel Santos, o ex-presidente da Colômbia, foi o último latino-americano que levou o prêmio. Houve outros anos em que o vencedor foram instituições: em 2012, foi a União Europeia; no ano seguinte, a Organização para Proibir Armas Químicas e em 2017, a Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares.

PANDEMIA E FOME

No ano passado, quase 690 milhões de pessoas passaram fome, 10 milhões a mais que em 2018. Por isso, o mundo corre o risco de não atingir mais o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, número 2, sobre Fome Zero.

Este é o resultado do relatório Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo de 2020, lançado em julho pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, e mais quatro agências: o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Ifad, o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, e a Organização Mundial da Saúde, OMS. 

Em entrevista à ONU News, a especialista da FAO Anne Kepple afirmou que as conclusões são uma grande preocupação. “A gente está longe de alcançar o objetivo 2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A mesma coisa com a má nutrição. Alguns indicadores de má nutrição estão melhorando, estão pelo menos indo na direção certa. Por exemplo, em crianças com menos de cinco anos, a baixa estatura para a idade está melhorando, porém não com a velocidade necessária para alcançar os objetivos.”


Regiões e pandemia

A pesquisa mostra que o maior número de pessoas com fome vive na Ásia, mas a situação também aumenta rapidamente na África, e começa ser agravada pela pandemia de Covid-19. Estima-se que a doença possa lançar de 83 milhões a 132 milhões de pessoas numa situação de fome crônica até o fim deste ano.

Anne Kepple, que faz parte da equipe de Alimentação e Nutrição da Divisão de Estatística da FAO, é uma das coordenadoras da pesquisa. Ela destaca várias ações que os governos podem tomar para resolver estes problemas.

“São muitas frentes que precisamos trabalhar. É urgente. E precisamos trabalhar de uma forma mais coordenada e mais incisiva. Uma política óbvia é a promoção de apoio à agricultura familiar, que também vai ajudar na pobreza rural. É muito importante que os governos invistam em programas de proteção social, política pró-pobre, que visam diminuir a desigualdade. Essa é outra frente. A desigualdade está aumentando e com isso a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição também.”


Língua portuguesa

O relatório da ONU ressalta a evolução dos países lusófonos em várias áreas, como desnutrição e obesidade, entre os períodos de 2004-2006 a 2017-2019. Angola consegui reduzir a porcentagem da população com desnutrição de 52,2% para 18,6%. Já a obesidade entre os adultos passou de 6,8% para 8,2%. 

No Brasil, 4,1% da população eram desnutridos em 2004-2006, uma taxa que baixou para menos de 2,5%. Já a obesidade, por outro lado, passou de 20,1% para 22,1%. A pesquisa estima que os custos de saúde relacionados com a obesidade no país devem passar de US$ 5,8 bilhão em 2010 para US$ 10,1 bilhão em 2050. 

Em relação à qualidade da alimentação, o alto custo e baixa acessibilidade de alimentos nutritivos é um obstáculo para um grande número de famílias. 

Alimentação saudável

Uma dieta saudável custa muito mais que US$ 1,90 por dia, considerado o limiar de pobreza. Laticínios ricos em nutrientes, frutas, vegetais e alimentos ricos em proteínas são os grupos de alimentos mais caros do mundo. Segundo a pesquisa, uma dieta saudável custa cinco vezes mais do que alimentação com farinhas. 


A pesquisa afirma que pelo menos três bilhões de pessoas não podem pagar por uma dieta saudável. Na África Subsaariana e no Sul da Ásia, mais da metade da população vive nessa situação, que afeta também habitantes da América do Norte e Europa. 


Crianças

Como resultado, quase um terço das crianças com menos de cinco anos, 191 milhões, tiveram dificuldades no crescimento em 2019. Outros 38 milhões estavam acima do peso. 
 
Segundo o relatório, uma mudança global para dietas saudáveis ajudaria a combater o problema da fome e custaria menos dinheiro. Em 2030, os custos de saúde associados a dietas não saudáveis devem chegar a US$ 1,3 trilhão por ano. Já o valor social relacionado às emissões de gases de efeito estufa, estimado em US $ 1,7 trilhão, pode ser reduzido em quase 75%.


Fonte: ONU


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O Conselho Regional de Nutricionistas da 6ª Região (CRN-6) divulgou a relação oficial dos trabalhos aprovados para apresentação no Se Amostra Pernambuco, evento que integra a programação do Nutrição Experience 2025. A iniciativa tem como objetivo valorizar experiências exitosas, pesquisas e práticas inovadoras desenvolvidas em diferentes contextos da alimentação e nutrição, fortalecendo o compartilhamento de saberes e a articulação en tre profissionais, estudantes e instituições. Ao todo, foram aprovados diversos trabalhos distribuídos em eixos temáticos como: Cooperação e Articulação para Segurança Alimentar e Nutricional; Controle e Regulação dos Alimentos; Gestão das Ações de Alimentação e Nutrição; Inovação e Conhecimento em Alimentação e Nutrição; Organização da Atenção Nutricional; Promoção da Alimentação Adequada e Saudável; Qualificação da Força de Trabalho; Vigilância Alimentar e Nutricional. As apresentações ocorrerão nas modalidades oral e banner, abrangendo experiências acadêmicas, técnicas e comunitárias. Entre os temas selecionados estão iniciativas como a implantação de protocolos municipais de fórmulas nutricionais, estratégias de educação alimentar e nutricional em diferentes territórios, inovações no preparo de alimentos regionais e experiências intersetoriais voltadas à promoção da saúde infantil. “O Se Amostra Pernambuco é um espaço importante para dar visibilidade às práticas profissionais e acadêmicas que estão transformando a realidade alimentar e nutricional no estado. É um momento de encontro, troca e valorização da nossa categoria”, destaca a nutricionista e coordenadora do evento, Vilma Ramos. A lista completa dos trabalhos aprovados está disponível ao final desta matéria.
23 de setembro de 2025
O Conselho Regional de Nutrição da 6ª Região (CRN-6), em parceria com o Governo do Estado de Pernambuco por meio da Coordenação de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CSANS), lançou o edital para seleção de relatos de experiências locais, no formato de resumos expandidos, destinados à apresentação no evento “Se Amostra, Pernambuco!”, que será realizado no dia 30 de outubro de 2025. O objetivo é valorizar, divulgar e incentivar a produção técnico-científica em Alimentação e Nutrição desenvolvida no Estado, reconhecendo experiências exitosas que contribuam para o fortalecimento das práticas e políticas públicas na área. Podem participar profissionais, estudantes, grupos e instituições que tenham desenvolvido atividades, projetos, pesquisas ou ações extensionistas no campo da Nutrição em Pernambuco. Cada autor poderá submeter até dois trabalhos, de forma individual ou em coautoria (limitados a seis autores por resumo). Informações importantes: Período de submissão: 22 de setembro a 6 de outubro de 2025; Divulgação dos trabalhos aprovados: 15 de outubro de 2025; Apresentação no evento: 30 de outubro de 2025; Formato de apresentação: pôster e, para os trabalhos de maior destaque, apresentação oral; Premiação: menção honrosa para dois trabalhos, sendo um com participação de nutricionista e outro sem. Os resumos expandidos deverão ter entre 4.000 e 6.000 caracteres, seguindo o modelo oficial disponível no site do CRN-6. A submissão será feita exclusivamente por meio da plataforma Sympla respeitando os prazos estabelecidos O presidente do CRN-6, Rafael Azeredo, destaca que o evento é uma oportunidade de dar visibilidade ao conhecimento produzido no estado: “O Se Amostra Pernambuco é um espaço de reconhecimento e partilha, que reforça a importância da Nutrição no enfrentamento dos desafios alimentares e na promoção da saúde da população.”
18 de setembro de 2025
O Conselho Regional de Nutrição da 6ª Região (CRN-6) e manifestou preocupação diante da aprovação de uma emenda substitutiva ao Projeto de Lei n° 425/2023, de autoria do Deputado Estadual Dr. Wanderley, que originalmente propunha a proibição da oferta e comercialização de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas e privadas de Alagoas. Segundo o presidente do CRN-6, Rafael Azeredo, a redação original do PL significava um avanço na proteção da saúde de crianças e adolescentes, ao alinhar-se às recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, a emenda substitutiva enfraquece o caráter protetivo da proposta ao transformar a proibição em mera recomendação de preferência por alimentos in natura e minimamente processados. Nota Oficial do Conselho Regional de Nutrição - 6ª Região (CRN-6) e do Consea Maceió (AL) O Conselho Regional de Nutrição - 6ª Região (CRN-6) e o Consea Maceió manifestam apoio integral ao Projeto de Lei n° 425/2023, em sua redação original, de autoria do Deputado Estadual Dr. Wanderley, que dispõe sobre a proibição da oferta e comercialização de alimentos ultraprocessados nas unidades escolares das redes públicas e privadas do Estado de Alagoas. O texto original do PL representa um avanço efetivo na promoção da saúde das crianças e adolescentes, ao alinhar-se às recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertam para o impacto nocivo do consumo precoce e frequente de alimentos ultraprocessados no aumento dos índices de obesidade, diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas. Entretanto, o CRN-6 e o Consea Maceió (AL) não concordam com a Emenda Substitutiva posteriormente apresentada e aprovada nas comissões, pois esta enfraquece o caráter protetivo do projeto ao substituir a proibição clara por uma recomendação de preferência pelo consumo de alimentos in natura e minimamente processados. Tal modificação descaracteriza a proposta inicial, abre espaço para interpretações permissivas e mantém brechas para a manutenção da lógica de comercialização de ultraprocessados no ambiente escolar. Ressaltamos que o ambiente escolar deve ser um espaço protetivo, formador e promotor de hábitos alimentares saudáveis, livre da pressão mercadológica e da influência da indústria de ultraprocessados, que frequentemente utiliza estratégias de marketing direcionadas ao público infantil. O CRN-6 e o Consea Maceió (AL) reafirmam, portanto, seu posicionamento contrário à emenda substitutiva e defende a aprovação e implementação da versão original do PL 425/2023, como medida concreta de saúde pública e de proteção integral à infância e adolescência em Alagoas. Conselho Regional de Nutrição - 6ª Região Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) de Maceió (AL) O CRN-6 e o Consea Maceió (AL) reafirmam, juntos, seu compromisso em defender políticas públicas efetivas de alimentação e nutrição, ressaltando que a proteção à infância exige medidas firmes, sem retrocessos que fragilizem conquistas em saúde coletiva.
18 de setembro de 2025
O Conselho Regional de Nutrição da 6ª Região (CRN-6) torna público o resultado da 1ª etapa do processo seletivo de estagiários, referente à fase de homologação das inscrições. Nesta etapa, foram analisados os documentos enviados pelos(as) candidatos(as). Os nomes homologados seguem aptos para participar das próximas fases da seleção. Resultado da homologação Vaga A1 – Administração Não houve inscritos. Vaga A2 – Design Gráfico, Comunicação Social ou Publicidade Hanna Mikaella Tavares de Lima Vaga A3 – Direito Ana Lilian Mendonça Ferreira Gabriela Hellen da Conceição Gomes Jéssica da Rocha Fidelis Vaga A4 – Tecnologia da Informação Daniel Cavalcanti Noronha Diego Felipe da Silva Avelino Leon Lourenço da Silva Santos Pedro Henrique Lima Barbosa Pedro Henrique Souza de Almeida Rosa Vaga A5 – Nutrição Alicia de Fátima Linhares Morais Antony de Amorim Teles Emanoel Messias da Silva Bezerra Giovanna Rocha Almeida Jonatan Rufino Rocha Lucas Silva dos Santos Lima Maria Cecília Felix Pereira Maria Eduarda Faustino de Araújo Maria Fernanda Avelino Lessa Karen Camylle de Oliveira Yone Gabriely da Silva Marques Prazo para recursos Os(as) candidatos(as) que não tiveram suas inscrições homologadas poderão entrar em contato com o CRN-6 até o dia 19/08, exclusivamente pelo e-mail: assessoriarh@crn6.org.br. O CRN-6 reforça o compromisso com a transparência e a valorização da formação profissional, oferecendo oportunidades de estágio que contribuem para o aprendizado e para a vivência prática das futuras(os) profissionais.